BOOKERS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
Sei que esse é um espaço dedicado à modelada que anda meio nervosinha, mas desde que minha coluna estreou aqui no WLM tenho recebido vários e-mails de bookers Brasil afora. A maioria deles agradecendo pela iniciativa do MBMO e contando histórias bem cabeludas de como é difícil gerenciar modelos – e de como nem o mais paciente dos monges se atreveria a seguir essa profissão.
Foi aí que me dei conta que precisava fazer esse desabafo. Brasil, booker também é carente! Sério. Nós vivemos, matamos e morremos por meninos e meninas lindas que viajam o mundo inteiro e constroem carreiras de sucesso – tudo graças as nossas noites de sono e muitas dores de cabeça.
Trabalhamos em todos os fusos-horário do planeta, aguentamos egos inflados, famílias complicadas, rebeldias sem motivo e incontáveis crises existenciais. Sem nem perceber, assumimos ao mesmo tempo a função de psicólogo, pai, melhor amigo, conselheiro amoroso, professor…
Como se não fosse suficiente, ainda nos cabe a difícil tarefa de dizer quem tem ou não condição de seguir a careira de modelo. Para mim, essa é a pior parte. Me fala, quem sou eu para dizer a um ser humano que ele não poderá realizar seu sonho? Que ele não nasceu com o perfil necessário? Que só na próxima encarnação? Ai como isso é complicado!
Ooops, lembrei de uma parte ainda pior! É ter que explicar nosso trabalho. Ser booker, ou dona de agência no meu caso, desperta muita curiosidade entre as pessoas fora do circuito fashion – e nem sempre estamos com tempo e boa vontade de contar os detalhes da loucura que é essa indústria.
Ao dizer que trabalho com moda já vão abrindo um sorrisinho simpático. Até aí tudo bem, mas quando surge a palavra “modelo” já respiro fundo e espero um dos três comentários seguintes:
- “Bááá, essa coisa de modelo tem muita prostituição, drogas e anorexia, né?”
-“A vizinha da amiga da minha avó tem uma enfermeira que a filha dela quer ser modelo. Posso passar seu contato?”
- “Nossa, modelos? Você deve viver cercada de gatas! Me apresenta umas aí?”
Pois é, modeletes, não é nada fácil. E olha que eu tentei dar uma amenizada na situação para não ficar parecendo que estou reclamando da vida. A verdade é que ser booker, scouter ou agente é um estilo de vida.
Ninguém vira booker porque os pais incentivaram na infância, porque quer ficar rico ou ter uma vida tranquila. Vira-se booker por uma vontade incontrolável de colocar em prática um talento que você, muitas vezes, preferia nem ter. E o que se espera em troca é, no mínimo, o respeito e GRATIDÃO dos modelos.
*Sem timidez, hein? Entra em contato agora: debora@meubookermeodeia.com


